Seminário promovido pela Prefeitura de Manaus reuniu gestores, profissionais e sociedade para debater prevenção do óbito materno.
O 4º Seminário Municipal sobre Redução da Mortalidade Materna foi realizado na manhã desta sexta-feira, 29/5, na faculdade Martha Falcão – Wyden, zona Centro-Sul. Promovido pela Prefeitura de Manaus por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) em parceria com o Comitê Municipal de Prevenção do Óbito Materno, Infantil e Fetal (Cmpomif), o encontro reuniu profissionais e gestores de órgãos e instituições de saúde e representantes da sociedade civil para discutir ações voltadas a identificar, investigar e eliminar causas evitáveis de morte no período da gestação ao puerpério, até três meses após o parto.
Debates e objetivos
Durante o seminário, os participantes discutiram estratégias para reforçar o cuidado a gestantes e puérperas, conforme a programação que marca as ações da Semsa pelo Dia Nacional da Redução da Mortalidade Materna e o Dia Mundial de Luta pela Saúde da Mulher, ambos em 28 de junho.
A segunda-secretária do Cmpomif e referência técnica em Pré-Natal da Divisão de Atenção à Saúde da Mulher da Semsa, Gerda Costa, destacou o evento como espaço para debate e enfrentamento ao óbito materno. “Como indicador de saúde, uma razão de mortalidade materna alta sinaliza alguma fragilidade no cuidado de gestantes e puérperas. Por isso nos reunimos aqui, todo ano, para refletir e buscar novos caminhos para a assistência, visando reduzir a morbimortalidade de mães e bebês”, assinalou.
Dados e panorama em Manaus
A chefe do Núcleo de Investigação de Óbitos da Semsa, Karine Souza, apresentou um panorama da mortalidade materna na cidade e informou que a razão teve redução nos últimos anos, chegando a 48,7 óbitos a cada 100 mil nascidos vivos, o equivalente a 16 registros, em 2025. Segundo ela, o índice permanece acima da meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que é de 30 óbitos a cada 100 mil nascidos vivos até 2030.
Karine também apresentou a evolução no período recente: 96,5 em 2020; 188,9 em 2021; 66,2 em 2022; 56,7 em 2023; 54,9 em 2024; e 48,7 em 2025. “A mortalidade materna permanece como desafio de saúde pública. Grande parte desses óbitos ainda decorre de causas conhecidas e potencialmente evitáveis, como síndromes hipertensivas, hemorragias e infecções relacionadas à gestação e ao puerpério”, relatou.
Ela também apontou concentração de óbitos no puerpério, o que, conforme explicou, reforça a necessidade de vigilância ativa e continuidade da assistência à mulher após o parto, tanto dentro da maternidade quanto fora dela.
Na distribuição por cor e escolaridade, Karine relatou que, em 2025, 81% dos registros ocorreram entre mulheres pardas e 19% entre mulheres brancas. Sobre escolaridade, 75% dos casos foram entre mulheres com 8 a 11 anos de estudo e 19% entre aquelas com 12 anos ou mais. “A mortalidade materna também reflete vulnerabilidades sociais e desigualdades que impactam no acesso oportuno aos serviços de saúde e até na qualidade da assistência ofertada”, concluiu.
Estratégias na Atenção Primária
O gerente de Telessaúde da Semsa, Lindinaldo Santos, apresentou o papel do serviço no acompanhamento de gestantes na Atenção Primária à Saúde (APS). Segundo ele, a estratégia conta com um serviço de saúde digital voltado ao atendimento de grávidas de alto risco e atua no telemonitoramento durante o pré-natal, apoiando o encaminhamento para avaliação de condições gestacionais que possam afetar mãe e bebê.
“O objetivo é reduzir nascimentos prematuros e mortes maternas e fetais, ampliar a oferta do serviço, especialmente entre mulheres em condições de vulnerabilidade, e apoiar profissionais generalistas com especialistas, para maior resolutividade do cuidado na APS”, afirmou Lindinaldo.
Conforme apresentação, o telessaúde já cobre 100% da área rural e oferta nove especialidades médicas, inclusive ginecologia e obstetrícia. No acompanhamento de gestação de alto risco, o serviço realizou 67 consultas para 33 gestantes em pouco menos de um ano; mais da metade dos casos já foi encerrada e, entre as pacientess acompanhadas, não houve registro de internação em UTI da mãe e do recém-nascido.
Investigação de causas e acolhimento
A técnica da Divisão de Atenção à Saúde da Mulher, Wanja Leal, explicou a metodologia da análise de causa raiz aplicada na APS. Segundo ela, as equipes conduzem investigações em âmbito hospitalar e junto às famílias e territórios para identificar fatores concorrentes em cada caso de óbito. A partir desses elementos, a equipe avalia o cuidado prestado e prepara um plano de ação para intervir nas fragilidades detectadas, em processo de diálogo e aprendizado.
Wanja ressaltou que a investigação não se limita a aspectos clínicos, mas inclui fatores socioeconômicos, étnicos e culturais que aumentam a vulnerabilidade das usuárias. “Isso porque a mortalidade materna ocorre, na maioria dos casos, entre mulheres em situação de vulnerabilidade social”, detalhou.
A última apresentação foi sobre o projeto “Acolhendo Vozes”, desenvolvido pelo Núcleo Permanente de Incentivo à Autocomposição (Nupia), do Ministério Público do Amazonas (MP-AM). A coordenadora do Nupia, promotora de justiça Yara Rebeca Albuquerque Marinho de Paula, e a coordenadora do projeto, psicóloga Kelly Moreira, falaram da iniciativa voltada à escuta qualificada e ao acolhimento humanizado como parte da rede de atenção a mulheres vítimas de violência.
Após as apresentações, a programação foi encerrada com um debate em plenária, com palavra franqueada aos participantes.
Texto – Jony Clay Borges/Semsa
Fotos – Divulgação/Semsa
Assuntos nesse artigo:
#obitomaterno, #mortalidadematerna, #manaus, #semsa, #cmpomif, #gestantes, #puerperio, #prenatal, #telessaude, #atencaoprimaria, #vigilanciaemsaude, #investigacaodeobitos, #causaraiz, #sindromeshipertensivas, #hemorragias, #infeccoes, #acolhendovozes, #nupia, #mpam, #saudedamulher
Publicado em: 29/05/2026 às 13:55

