Plano Estadual de Bioeconomia do Amazonas avança para fase de implementação com foco em inovação, investimentos e articulação

Foto: Rebeca Mota/ Sedecti
A Secretaria de desenvolvimento econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti) apresentou, nesta quinta-feira (16/04), como o Plano Estadual de Bioeconomia do Amazonas PODE gerar oportunidades concretas de negócios e investimentos no estado. O plano foi detalhado pela chefe do Departamento de Bioeconomia e Ações Estratégicas, Milena Barker, durante o painel principal do 117º Meetup Jaraqui Valley, promovido pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), com o tema ‘Da Política Pública ao Projeto’.
O objetivo central do encontro foi demonstrar como as diretrizes do plano podem sair do campo estratégico e alcançar projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&DI), além de fomentar negócios escaláveis na região.
Durante a participação da Sedecti, Milena destacou que o plano entra agora em uma fase mais prática, voltada à implementação e articulação institucional. “Estamos em uma etapa de divulgação e implementação do Plano Estadual de Bioeconomia, onde a participação de todos os atores é fundamental. Precisamos estar unidos para que as ações cheguem na ponta, na comunidade que vive da bioeconomia”, afirmou.

Foto: Rebeca Mota/ Sedecti
Ela ressaltou ainda a importância da atuação conjunta entre instituições estratégicas e anunciou os próximos passos do plano, com foco na governança colaborativa. “O plano avança agora para uma nova etapa, com a formação de grupos de trabalho envolvendo governo, setor privado e sociedade civil. Na próxima semana, teremos uma consulta pública para que mais atores possam se inscrever e contribuir. A ideia é somar esforços para tirar o plano do papel”, explicou.
Prioridades e execução
Para definir prioridades, o governo adotará critérios técnicos e transversais, como potencial de agregação de valor, impacto ambiental, inclusão social e aderência a compras públicas sustentáveis. Negócios que envolvam mulheres, jovens, agricultores familiares e comunidades tradicionais terão atenção especial.
O plano tem horizonte de execução entre 2025 e 2030, com monitoramento contínuo e avaliações periódicas. Entre os próximos passos estão a ativação de um comitê gestor interinstitucional, a publicação da agenda regulatória e o lançamento de editais de fomento.
O que muda na prática
Milena também detalhou os impactos diretos no dia a dia da economia amazonense. Um dos principais eixos é a integração com o Polo Industrial de Manaus (PIM), com foco na chamada bioindustrialização. A proposta é incentivar indústrias a utilizar insumos da biodiversidade amazônica, ampliando a produção de biotecnologia, cosméticos, fármacos e alimentos processados.
Outra mudança relevante é o fortalecimento das cadeias produtivas locais, com investimentos em infraestrutura para processamento de insumos ainda nas comunidades. A ideia é permitir que produtores deixem de vender matéria-prima in natura e passem a comercializar produtos com maior valor agregado, como óleos, polpas e extratos.
Na área energética, o plano prevê a redução de 50% do consumo de diesel até 2030, com a substituição por fontes renováveis como energia solar e biomassa, o que também abre espaço para geração de créditos de carbono.
Já no campo regulatório, a proposta inclui a desburocratização do acesso ao patrimônio genético, facilitando pesquisas e garantindo a repartição justa de benefícios com comunidades tradicionais.
Segundo Milena, o principal desafio é mudar a lógica econômica da região: sair do extrativismo básico e avançar para a agregação de valor. “O Amazonas tem os insumos mais cobiçados do mundo. O que precisamos é transformar isso em produtos, inovação e riqueza distribuída”, concluiu.

Foto: Rebeca Mota/ Sedecti
Integração e inovação
Durante o painel, o diretor da Agência de Inovação e Tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Alcian Pereira de Souza, destacou que a conexão entre instituições é essencial para viabilizar a bioeconomia na prática. Segundo ele, muitas iniciativas ainda ficam restritas aos espaços institucionais e precisam ganhar capilaridade. “É preciso conectar competências, tanto dentro das instituições quanto com parceiros externos, para que as soluções cheguem de fato à sociedade”, afirmou e ressaltou que o trabalho conjunto amplia a capacidade de execução.
Investimento e sustentabilidade
Já o superintendente adjunto executivo da Zona Franca de Manaus (Suframa), Luiz Frederico Oliveira de Aguiar, enfatizou que o futuro da Amazônia depende diretamente de inovação e investimentos estruturantes. “O futuro da Amazônia é necessariamente sustentável e inovador. Sem investimentos e sem inovação, a gente não consegue pensar na Amazônia que a gente quer”, destacou.


