quarta-feira, 21 de outubro de 2026
Durango Duarte

Mais de 8 mil obras compõem o acervo histórico reunido pelo Instituto Durango Duarte

O Instituto Durango Duarte preserva documentos e publica livros sobre a história de Manaus e do Amazonas. O acervo inclui mais de oito mil obras, jornais, diários oficiais, revistas, cartografias e produções audiovisuais; parte desse material pode ser consultada por meio das publicações disponíveis no portal da instituição.
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Mais de oito mil obras integram a biblioteca particular reunida pelo Instituto Durango Duarte (IDD), associação sem fins lucrativos criada em 15 de abril de 2016. O conjunto inclui ainda diários oficiais, jornais e revistas digitalizados, cartografias e produções audiovisuais relacionados à história de Manaus, do Amazonas e da Amazônia.

A instituição transforma parte desse material em livros, artigos, fotografias, vídeos e documentos históricos. O objetivo é preservar fontes, estimular a produção literária e ampliar o debate sobre temas regionais. A biblioteca particular não está disponível para consulta no momento, mas os materiais publicados podem ser acessados no portal do IDD.

Pesquisa a partir de jornais e documentos

Os jornais antigos de Manaus formam uma das bases do trabalho desenvolvido pelo instituto. As páginas registram inaugurações, conflitos, mudanças na paisagem urbana e acontecimentos que marcaram diferentes gerações.

Na coleção 50 Anos Hoje, as notícias são organizadas por ano. O volume dedicado a 1970, por exemplo, reúne registros sobre a explosão da caldeira da Santa Casa, a inauguração de praças e avenidas e o centenário da Biblioteca Pública do Estado.

A imprensa também aparece como objeto de análise em obras como Imprensa Amazonense: Chantagem, Politicagem e Lama e Imprensa Amazonense: Caso Batará. Os livros tratam de períodos de tensão e controvérsia na trajetória dos jornais locais.

Em Quando o Diário Oficial virou guerra, de 2026, a investigação se concentra nas disputas de 1958 e 1959. Naquele período, a publicação oficial do Estado foi usada como espaço de confronto entre governo, oposição e imprensa.

Espaços urbanos e vida cultural

A memória da paisagem de Manaus está no centro de diferentes pesquisas do IDD. Publicado em 2023, Praças históricas de Manaus acompanha a trajetória de 34 praças, incluindo locais que desapareceram. O livro amplia e revisa o capítulo sobre praças de Manaus, entre o passado e o presente, lançado em 2009.

A obra de 2009 foi escrita por Durango Duarte e apresentada como um guia histórico e fotográfico da capital. Três anos depois, ele publicou 343 Manaus, voltado à apresentação visual e turística da cidade.

Os espaços de convivência e entretenimento também aparecem em A Sétima Arte em Manaus, de 2017. O livro aborda a história das salas de cinema, a chegada de empresas exibidoras e a realização de festivais.

A produção sobre música inclui A vida musical em Manaus (1950 a 1960) e Olga Praguer Coelho: a voz e o violão do folclore brasileiro. Os títulos registram aspectos da circulação musical e de personagens ligados à cultura.

Da borracha à Zona Franca

Outra frente de pesquisa trata da formação econômica e política do Amazonas. RUBBER — Apogeu e Declínio da Borracha na Amazônia percorre a história do ciclo da borracha e de seus efeitos na região.

Já A Construção da Província do Amazonas, publicado em 2025, examina o período entre 1851 e 1859, após a separação do Grão-Pará. A pesquisa aborda a formação das bases institucionais, econômicas e sociais da província.

A implantação da Zona Franca é tema de um livro digital gratuito lançado em 2023. Organizada por Durango Duarte, a publicação contou com a participação da historiadora Marlucia Bentes e do jornalista Kleber Paiva na pesquisa. O conteúdo acompanha as primeiras discussões sobre o modelo, a construção do Distrito Industrial e a instalação das primeiras indústrias.

Trajetória do pesquisador e atividades do instituto

Parte da produção do IDD se relaciona à trajetória de Durango Duarte, empresário, publicitário, escritor e pesquisador. Nos anos 1980, ele participou do movimento estudantil amazonense, dirigiu centros acadêmicos e foi conselheiro da Universidade Federal do Amazonas.

Esse período voltou a ser tema de trabalhos sobre a mobilização estudantil, entre eles uma coletânea de entrevistas com personagens que atuaram entre 1975 e 1985. Em 2021, Durango também foi professor voluntário do curso de Arquivologia da Ufam.

O instituto promove reuniões, palestras e cursos, além de incentivar a produção de teses, dissertações e monografias sobre Manaus, o Amazonas e a Amazônia. A organização de fontes históricas e o lançamento de publicações fazem parte das atividades.

Ao reunir documentos e transformá-los em pesquisas, o IDD procura manter em circulação informações sobre personagens, lugares e acontecimentos da região. O acervo preserva os registros; os livros e demais materiais publicados organizam esse conteúdo para novas leituras da história amazonense.

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