terça-feira, 29 de setembro de 2026
SAÚDE

Cuidados com a saúde durante passeios de barco no Amazonas

Passeios de barco no Amazonas exigem planejamento para evitar desidratação, insolação, doenças transmitidas por mosquitos, problemas gastrointestinais e acidentes. Veja os principais cuidados antes, durante e depois da viagem.

Os passeios de barco no Amazonas exigem mais do que a escolha do roteiro e da embarcação. A combinação de calor, umidade, exposição prolongada ao sol, deslocamentos por áreas de mata e distância de serviços de saúde pode aumentar o risco de mal-estar, desidratação, picadas de mosquitos, diarreias e acidentes.

O planejamento deve começar antes do embarque, com a conferência da carteira de vacinação, a separação de medicamentos de uso contínuo e a escolha de uma embarcação que ofereça condições adequadas de segurança. Durante o trajeto, cuidados simples com água, alimentos, proteção solar e repelente ajudam a reduzir riscos.

As orientações abaixo são gerais e não substituem avaliação médica. Pessoas idosas, crianças, gestantes e viajantes com doenças crônicas devem conversar com um profissional de saúde antes de uma viagem prolongada ou para áreas isoladas.

Antes da viagem, verifique vacinas e condições de saúde

A região Amazônica concentra a maior parte dos casos de malária registrados no Brasil e também exige atenção para doenças preveníveis por vacinação. A orientação do Ministério da Saúde é que o viajante busque avaliação antes da viagem, considerando o destino, a duração do roteiro, o tipo de hospedagem e a distância até um serviço de saúde.

A vacina contra a febre amarela deve ser conferida com antecedência. O Ministério da Saúde informa que, para quem precisa ser vacinado, o período mínimo recomendado antes da viagem é de dez dias. A indicação pode variar de acordo com o histórico de vacinação e as condições individuais, por isso a decisão deve ser tomada com orientação de um serviço de saúde. (manaus.am.gov.br)

Também é importante verificar se as vacinas de rotina estão atualizadas, incluindo as indicadas para sarampo, hepatites, influenza e covid-19, conforme o calendário vigente e a avaliação do profissional de saúde. Em janeiro de 2026, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas reforçou a necessidade de conferir a caderneta antes de viagens e atividades de lazer. (fvs.am.gov.br)

Quem usa medicamentos regularmente deve levar quantidade suficiente para todo o período, de preferência na embalagem original, além da receita ou de um relatório médico. Evite interromper tratamentos durante a viagem e não monte um “kit” de remédios sem orientação profissional.

Proteja-se contra mosquitos e malária

A malária é transmitida pela picada de mosquitos infectados e pode causar febre, calafrios, dor de cabeça, dores no corpo e sudorese. Os sintomas podem surgir durante a viagem ou depois do retorno. Segundo o Ministério da Saúde, pessoas que estiveram em área de transmissão devem procurar atendimento imediatamente se apresentarem sintomas e informar o local visitado. A recomendação vale por até seis meses após o retorno. (gov.br)

Durante o passeio, use repelente nas áreas expostas da pele, respeitando a faixa etária e a frequência de reaplicação indicadas no rótulo. O produto deve ser reaplicado depois de suor excessivo, contato com água ou conforme a orientação do fabricante. Quando houver exposição ao sol, o protetor solar deve ser aplicado antes do repelente.

Roupas de manga longa, calças compridas e calçados fechados ajudam a reduzir a área de pele exposta. Em redes ou locais de pernoite, dê preferência a mosquiteiros, telas, ventiladores ou ambientes com ar-condicionado, quando disponíveis. O Ministério da Saúde recomenda atenção especial no início da manhã e ao entardecer, períodos de maior atividade de mosquitos transmissores da malária em determinadas áreas. (gov.br)

Também é prudente evitar permanência desnecessária nas margens de rios, lagos e áreas alagadas nos horários de maior atividade dos mosquitos. A prevenção deve continuar mesmo quando não há presença visível de insetos.

Use protetor solar e mantenha a hidratação

A exposição ao sol em uma embarcação pode ser intensa por causa da reflexão da luz na água. O vento durante a navegação também pode mascarar a sensação de calor e levar o passageiro a perceber tarde demais que está desidratado ou com a pele queimada.

Use protetor solar com fator de proteção adequado, reaplicando-o conforme as instruções do fabricante e depois de contato com água ou suor intenso. Chapéu ou boné, óculos escuros com proteção contra raios ultravioleta e roupas leves ajudam a reduzir a exposição direta.

O Ministério da Saúde recomenda evitar a exposição prolongada ao sol nos períodos de maior intensidade, usar roupas apropriadas e ingerir líquidos regularmente. A ingestão de bebidas alcoólicas deve ser moderada, porque o álcool pode favorecer a desidratação. (gov.br)

Leve água potável em quantidade compatível com a duração do trajeto. Não espere sentir sede para beber. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas merecem atenção especial, pois podem desidratar mais rapidamente ou ter dificuldade para perceber os primeiros sinais de perda de líquidos.

Tontura, dor de cabeça, náusea, fraqueza, confusão mental, pele muito quente e alterações na visão podem indicar agravamento relacionado ao calor. Em caso de suspeita de insolação, a pessoa deve ser levada para um local fresco e ventilado, receber líquidos se estiver consciente e buscar atendimento médico imediato nos casos mais intensos. (gov.br)

Tenha cuidado com água, gelo e alimentos

A qualidade da água e dos alimentos é um dos principais pontos de atenção em viagens fluviais. Para beber, use água mineral ou tratada, mantida em embalagem lacrada ou obtida de fonte segura. Evite água de procedência desconhecida e tenha cautela com gelo quando não for possível confirmar a origem.

Lave as mãos antes de comer e depois de usar o banheiro. Quando não houver pia disponível, utilize solução antisséptica, sem deixar de lavar as mãos assim que houver acesso a água e sabão.

Prefira alimentos bem cozidos, fritos ou assados e evite produtos crus, malpassados ou mantidos por muito tempo fora de refrigeração. Alimentos perecíveis precisam ser conservados em temperatura adequada. Embalagens devem estar íntegras, com identificação do produtor e data de validade.

O Ministério da Saúde recomenda atenção especial ao consumo de frutos in natura que não tenham sido manipulados ou processados de maneira adequada na Região Amazônica, incluindo açaí e bacaba. A recomendação não significa evitar todo alimento regional, mas observar a procedência, as condições de preparo e a higiene do local. (gov.br)

Diarreia, vômitos, dor abdominal, febre ou sinais de desidratação exigem atenção. Crianças e idosos podem evoluir rapidamente para um quadro mais grave. Em caso de sintomas persistentes, procure atendimento e informe o que foi consumido e onde ocorreu a viagem.

Confira os equipamentos de segurança da embarcação

O cuidado com a saúde também envolve a prevenção de acidentes. Antes de embarcar, verifique se há coletes salva-vidas em quantidade suficiente, em tamanhos adequados para adultos e crianças, e se eles estão em local visível e de fácil acesso.

A embarcação deve oferecer orientação sobre procedimentos de emergência, circulação segura, pontos de saída e conduta em caso de queda na água. Respeite a lotação, mantenha-se sentado durante trechos de maior instabilidade e evite permanecer em áreas externas sem apoio adequado.

A proteção de motores, eixos e outras partes móveis é especialmente importante em barcos usados em deslocamentos na região amazônica. A legislação brasileira tornou obrigatória a proteção de componentes que possam oferecer risco à integridade dos passageiros e tripulantes, medida relacionada à prevenção de acidentes como o escalpelamento. (gov.br)

O colete salva-vidas não deve ser usado como assento, boia ou brinquedo. Em situações de emergência, siga as instruções do comandante e da tripulação. Crianças precisam permanecer sob supervisão constante, principalmente durante embarque, desembarque e paradas em comunidades ou áreas de banho.

Reduza o risco de enjoo e mal-estar

O balanço da embarcação pode provocar enjoo, especialmente em pessoas que não estão acostumadas a viagens fluviais. Faça refeições leves antes do embarque e evite exagerar em alimentos gordurosos e bebidas alcoólicas.

Durante a navegação, procure permanecer em local ventilado e fixar o olhar em um ponto estável do horizonte, quando isso for possível. Deitar-se ou manter a cabeça apoiada pode ajudar algumas pessoas. Medicamentos para enjoo podem causar sonolência e não devem ser usados sem verificar contraindicações e interações com outros remédios.

Se houver vômitos repetidos, incapacidade de ingerir líquidos, desmaio ou sinais de confusão, comunique imediatamente a equipe da embarcação e procure atendimento.

Leve uma pequena bolsa de saúde

Uma bolsa de viagem pode incluir protetor solar, repelente, chapéu, óculos escuros, água potável, álcool em gel, curativos, termômetro e os medicamentos de uso contínuo. A composição deve ser definida de acordo com a duração do passeio e as necessidades de cada viajante.

Evite levar medicamentos prescritos para outras pessoas ou utilizar antibióticos, corticoides e antimaláricos por conta própria. A orientação sobre prevenção e tratamento da malária depende do local visitado, do tipo de exposição e das condições clínicas do viajante. O Ministério da Saúde informa que não há medicamentos de quimioprofilaxia disponíveis na lista do Programa Nacional de Prevenção e Controle da Malária no Brasil; a indicação individual deve ser discutida com um profissional. (gov.br)

Informe ao responsável pelo passeio se alguém do grupo tem alergias, diabetes, epilepsia, problemas cardíacos, mobilidade reduzida ou outra condição que possa exigir atendimento rápido. Em roteiros remotos, confirme previamente quais são os pontos de parada, a disponibilidade de comunicação e o tempo estimado até uma unidade de saúde.

Saiba quando procurar atendimento

Febre durante ou depois da viagem deve ser investigada, principalmente quando o roteiro incluiu áreas de mata, comunidades ribeirinhas ou locais com transmissão de malária. Ao procurar um serviço de saúde, informe que esteve no Amazonas, indique os municípios ou comunidades visitados e relate as datas aproximadas do deslocamento.

Também é necessário buscar atendimento em casos de falta de ar, dor no peito, desmaio, confusão mental, convulsão, sangramento, vômitos persistentes, diarreia intensa, reação alérgica, mordida ou picada de animal peçonhento e sinais de insolação.

Se ocorrer uma agressão por animal, não tente capturá-lo. Afaste-se do local, lave o ferimento com água e sabão quando possível e procure atendimento imediatamente para avaliação de risco de raiva ou necessidade de soro e vacina.

Durante a viagem, qualquer alteração de saúde deve ser comunicada à equipe de bordo. A recomendação da Anvisa é informar a tripulação, que poderá orientar as medidas necessárias e acionar os serviços de saúde no destino. (gov.br)

Checklist antes de embarcar

  • Confira a carteira de vacinação e busque orientação sobre febre amarela.
  • Leve medicamentos de uso contínuo, receita e informações médicas importantes.
  • Separe água potável, repelente, protetor solar, chapéu e roupas leves.
  • Confirme a existência e a localização dos coletes salva-vidas.
  • Verifique as condições de armazenamento de água e alimentos.
  • Informe-se sobre o acesso a atendimento médico durante o roteiro.
  • Evite viajar com febre, diarreia ou outra doença infecciosa aguda sem orientação médica.

Com planejamento e atenção aos sinais do corpo, o passeio de barco pode ser aproveitado com mais segurança. No Amazonas, onde muitos trajetos dependem dos rios e podem ocorrer longe dos centros urbanos, prevenir é especialmente importante: cuidados básicos antes e durante a viagem reduzem riscos e facilitam a busca por ajuda quando necessário.