Amaturá, no oeste do Amazonas, reúne em um mesmo território referências indígenas, heranças de antigas missões religiosas, comunidades rurais e ribeirinhas e uma economia baseada em serviços, agricultura e pesca. O município integra a Região Geográfica Imediata de Tabatinga e a Região Geográfica Intermediária de Tefé.
A cidade faz divisa com Jutaí, São Paulo de Olivença e Santo Antônio do Içá. Segundo a Amazonastur, está a aproximadamente 907 quilômetros de Manaus. A vida municipal é marcada pela relação com os rios e pela distribuição da população entre a sede urbana e as localidades do interior.
Uma formação ligada às missões e aos povos indígenas
A origem de Amaturá está relacionada à história de São Paulo de Olivença. De acordo com a prefeitura, a formação regional remonta à missão de São Paulo Apóstolo, estabelecida por jesuítas no final do século XVII, em uma área já habitada por povos indígenas e posteriormente disputada por portugueses e espanhóis.
A antiga missão passou a ser conhecida como aldeia de São Paulo dos Cambebas e, mais tarde, tornou-se sede de São Paulo de Olivença. A reorganização administrativa do Alto Solimões ocorreu por meio de sucessivos desmembramentos territoriais, processo que levou à criação de novos municípios. Amaturá conquistou a emancipação em 1981.
O próprio nome do município preserva uma referência à cultura indígena. Conforme a explicação registrada pela prefeitura, baseada em relatos de historiadores locais, a denominação estaria associada ao aturá, cesto usado para transportar diferentes materiais, especialmente entre povos Cocama e Cambeba. A pronúncia teria passado por mudanças até chegar à forma atual. A versão é atribuída ao relato do frei Henrique Sampalmiere, no livro Os Segredos da Selva.
População distribuída em um território extenso
Amaturá possui área territorial de 4.658,391 km². O Censo de 2022 registrou 10.819 habitantes, enquanto a estimativa apresentada pelo painel Cidades e Estados do IBGE para 2026 é de 11.633 pessoas. A diferença entre os dois números é de 814 habitantes, ou cerca de 7,5%, considerando que se trata da comparação entre uma contagem censitária e uma estimativa.
A densidade demográfica registrada no Censo de 2022 foi de 2,28 habitantes por km². O dado ajuda a dimensionar a distribuição da população em um município de grande extensão territorial, formado por uma sede urbana e comunidades localizadas na zona rural e às margens dos rios.
Entre os indicadores do IBGE estão a escolarização de 6 a 14 anos, de 98,91% em 2022, e o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal de 0,560, referente a 2010. A escolarização mede a parcela matriculada, não o desempenho dos estudantes, enquanto o IDHM é uma referência histórica e não representa necessariamente a situação atual.
O painel também informa mortalidade infantil de 18,66 óbitos por mil nascidos vivos em 2025, PIB por habitante de R$ 12.453,24 em 2023, receitas brutas realizadas de R$ 117.938.951,96 e despesas brutas empenhadas de R$ 101.910.178,46, ambas em 2025. O PIB por habitante corresponde a uma média da produção econômica e não equivale à renda individual dos moradores.
Farinha, pesca e serviços na economia local
A economia de Amaturá combina o setor de serviços com atividades agrícolas e pesqueiras. Estudo disponibilizado pelo Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), publicado em 2025 e baseado em referências anteriores, cita a mandioca, a banana, o milho e a pesca de pirarucu entre as atividades produtivas do município.
A mandioca tem importância tanto no cultivo quanto no beneficiamento. Em 2023, o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam) registrou demandas de produtores por capacitação em fabricação de farinha e derivados de mandioca, além de manejo da castanha-do-brasil.
Na mesma reunião, produtores solicitaram pós-larvas de tambaqui para apoiar a piscicultura municipal. Outro registro do Idam, também de 2023, informou R$ 251 mil em investimentos para agricultores e pescadores de Amaturá por meio da Agência de Fomento do Amazonas.
Os financiamentos incluíam capital de giro e equipamentos para a pesca artesanal e o cultivo de mandioca. Entre os itens citados estavam embarcações, motores, refrigeradores e roçadeiras. Os registros indicam a presença de demandas relacionadas à conservação do pescado, ao processamento de alimentos, à mecanização e à assistência técnica.
Patrimônio, religiosidade e paisagem
Entre as referências históricas destacadas pela Amazonastur está o Colégio São Cristóvão, associado à antiga atividade de formação seminarística. A Praça São Cristóvão também aparece entre os espaços de visitação, com destaque para a contemplação do pôr do sol.
O órgão estadual de turismo menciona ainda hospedagens e restaurantes de estrutura simples, com pratos típicos do Alto Solimões. A oferta está relacionada ao perfil do município e às experiências vinculadas à paisagem, à cultura e à vida comunitária.
A religiosidade ocupa posição importante na identidade local. Os festejos de São Cristóvão, segundo a prefeitura, reúnem celebração religiosa, participação das famílias e movimentação econômica. A organização envolve a Paróquia São Cristóvão, com apoio municipal para a estrutura do evento.
O calendário oficial do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas registra 25 de julho como Dia do Padroeiro São Cristóvão e 30 de março como a data de elevação de Amaturá à categoria de cidade. As duas datas representam referências distintas da memória municipal: uma ligada à tradição religiosa e outra à trajetória administrativa.
Assim, a história de Amaturá pode ser observada em diferentes dimensões: no nome de origem indígena, na herança das missões, no patrimônio construído, nos festejos religiosos e no trabalho de agricultores e pescadores. Esses elementos ajudam a compreender a formação social e econômica de uma cidade profundamente vinculada ao Alto Solimões.


