Anamã, no Amazonas, combina uma extensa área territorial, baixa densidade populacional, comunidades tradicionais e uma economia associada à agricultura e à pesca. A formação do município também está ligada aos antigos seringais e à ocupação das margens dos rios, que continuam influenciando a circulação, a produção e a prestação de serviços.
Localizado a oeste de Manaus, o município integra a Região Geográfica Imediata de Manacapuru e a Região Geográfica Intermediária de Manaus. Segundo o painel Cidades e Estados, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Anamã possui 2.382,521 quilômetros quadrados de área territorial e registrou 9.962 habitantes no Censo de 2022.
A estimativa populacional apresentada no painel para 2026 é de 9.981 habitantes, diferença de 19 pessoas em relação à contagem censitária. A comparação corresponde a uma variação aproximada de 0,19% entre os dois registros, que têm naturezas distintas: o Censo contabiliza a população residente, enquanto a estimativa é uma projeção.
Uma formação ligada aos seringais e às comunidades
O histórico divulgado pela Prefeitura de Anamã menciona a presença de fazendeiros na região antes de 1843. A formação dos primeiros núcleos de moradores é associada à busca por terras férteis e pela exploração de seringais.
Outra etapa do povoamento é situada por volta de 1936, quando antigos seringueiros vindos do Acre chegaram à região. A atividade da borracha deixou marcas na memória local e deu origem a uma das denominações populares atribuídas ao município: Alto Seringal.
Na década de 1960, moradores também teriam utilizado o nome Princesa de Anori. As duas expressões fazem parte dos registros da memória municipal, mas não correspondem necessariamente a denominações administrativas oficiais.
A emancipação de Anamã ocorreu em 1981, por meio da Emenda Constitucional estadual nº 12, com o desmembramento do município de Anori. O histórico municipal destaca Sebastião Pacheco Teles, então vereador de Anori, como vencedor das primeiras eleições municipais, realizadas em 1982.
O aniversário oficial é celebrado em 31 de janeiro. A data foi estabelecida pela Lei Municipal nº 298, de 26 de setembro de 2017, e passou a integrar o calendário de referências administrativas e da memória coletiva do município.
Nome de origem nheengatu tem mais de um sentido registrado
A origem do nome Anamã é relacionada pela prefeitura ao nheengatu, língua de base tupi historicamente utilizada na Amazônia. A pesquisa apresentada pelo município é de Ivany Jamys Ferreira Régis e recupera registros do vocabulário de Ermanno Stradelli, publicado em 1928.
Os sentidos encontrados incluem “espesso”, “desmamado” e uma denominação de marreca. Como há mais de uma possibilidade registrada, não é possível atribuir ao nome uma tradução única. Também não há, no material consultado, documentação adicional que permita afirmar que a escolha tenha ocorrido especificamente por causa da vegetação ou de bebidas indígenas.
Território é organizado por rios e comunidades
Anamã limita-se com Anori ao norte e a oeste, Beruri ao sul e Manacapuru a leste. O clima é equatorial, quente e úmido. Nesse ambiente, os rios interferem na circulação, na produção e na organização da vida comunitária.
A prefeitura relaciona 22 comunidades no município, sem informar o ano de referência dessa contagem. Entre os nomes citados estão Arixi, Cuia, Novo Brasil, Mato Grosso e Nossa Senhora de Nazaré.
Também aparecem São José e Eware, identificadas como comunidades Tikuna, além de Bom Jesus, Nova Esperança e Santa Luzia, relacionadas ao povo Kokama, na Ilha do Camaleão.
A relação de comunidades mostra que a organização municipal não se limita à sede urbana. Diferentes formas de organização social, conhecimentos tradicionais e práticas produtivas participam da construção da identidade de Anamã.
Indicadores mostram baixa densidade e diferenças de referência
Os dados do IBGE ajudam a dimensionar o município e devem ser lidos considerando o ano de cada indicador. A densidade demográfica registrada no Censo de 2022 foi de 4,07 habitantes por quilômetro quadrado, resultado compatível com um território amplo e população distribuída entre a sede e as comunidades.
A escolarização de crianças e adolescentes de 6 a 14 anos aparece no painel com índice de 97,93%, também com referência a 2022. O indicador mede a matrícula escolar e não permite, sozinho, avaliar a aprendizagem ou a qualidade do ensino.
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) é de 0,594, com base em dados de 2010. Esse resultado pertence à faixa de baixo desenvolvimento humano. Como a referência é anterior aos demais indicadores apresentados, o índice não deve ser interpretado como uma medição atual das condições sociais do município.
O painel aponta mortalidade infantil de 11,36 óbitos por mil nascidos vivos em 2025. Para avaliar a evolução desse indicador, seria necessário observar uma série histórica, e não apenas um registro isolado.
O Produto Interno Bruto (PIB) por habitante foi de R$ 15.528,45 em 2023. Esse número representa uma média da produção econômica por habitante e não corresponde à renda individual dos moradores.
Nas contas públicas, o painel registra receitas brutas realizadas de R$ 104.407.370,57 e despesas brutas empenhadas de R$ 85.950.030,37, ambas com referência a 2025. Receita realizada e despesa empenhada são categorias distintas e não devem ser tratadas como equivalentes a saldo disponível ou resultado final das contas municipais.
Agricultura e pesca estão entre as bases econômicas
A agricultura e a pesca aparecem entre as principais atividades econômicas associadas a Anamã. A estrutura municipal inclui a Secretaria de Produção Rural e Abastecimento, que tem atribuições relacionadas à agricultura familiar, à pecuária, à pesca artesanal e ao extrativismo sustentável.
Entre as funções previstas estão o apoio técnico, o acesso a crédito e o incentivo ao associativismo. O material consultado não apresenta valores de produção, número de trabalhadores ou participação percentual de cada atividade na economia municipal.
O ambiente aquático também é apontado como elemento de interesse turístico. A Amazonastur destaca áreas para banho e os lagos Membeca e Patuá como locais para pesca esportiva.
A existência desses atrativos naturais não permite, por si só, medir o fluxo de visitantes ou a contribuição do turismo para a economia de Anamã. Não foram apresentados números de visitação ou estimativas de receita associadas à atividade.
Cheias alteram deslocamentos e exigem planejamento
A relação com os rios se torna mais visível durante as cheias. Em períodos de elevação das águas, áreas urbanas podem ser inundadas, alterando as formas de deslocamento e o funcionamento cotidiano. Reportagens registram o uso de canoas em ruas tomadas pela água.
Em 9 de junho de 2025, o Governo do Amazonas homologou situação de emergência em Anamã por meio do Decreto nº 51.871. O documento registrou inundações provocadas pela elevação dos rios Solimões e Anamã e apontou danos materiais, ambientais, econômicos e sociais em áreas urbanas e rurais.
A estrutura municipal de Defesa Civil prevê o monitoramento de áreas de risco, o planejamento preventivo, a assistência às famílias e a atenção às cheias periódicas do Solimões. Essas atribuições vinculam a gestão do território ao regime das águas e à necessidade de manter serviços durante os períodos de inundação.
Em Anamã, história, economia e organização territorial estão relacionadas à paisagem fluvial. A memória dos seringais, a presença de comunidades Tikuna e Kokama, a produção rural e pesqueira e os efeitos das cheias formam dimensões complementares do município. Os dados disponíveis ajudam a descrever esse conjunto, mas também mostram que população, indicadores sociais e atividades econômicas devem ser analisados conforme seus diferentes períodos de referência.




