Semsa disponibiliza o exame em 12 unidades e na zona rural para triagem e acompanhamento de contatos de casos confirmados.
Com 12 unidades de saúde realizando o teste rápido de hanseníase na capital amazonense, a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de saúde (Semsa), reforça a importância do exame para avaliação de pessoas que convivem ou conviveram de forma próxima e prolongada com pacientes diagnosticados com a doença e em tratamento.
Em 2025, Manaus alcançou 90,07% no indicador de vigilância na avaliação dos contatos dos pacientes diagnosticados com hanseníase, público indicado para a realização do teste rápido de hanseníase. A ação é usada como estratégia para identificar pessoas com maior risco de adoecimento e para direcionar acompanhamento clínico e vigilância ativa.
Como são identificados e avaliados os contatos
Segundo a chefe do Núcleo de Controle da Hanseníase (Nuhan/Semsa), enfermeira Ana Cristina Malveira, os contatos principais são pessoas que convivem ou conviveram na mesma residência, na mesma família, além daqueles que convivem em ambientes de trabalho e escola. “Após 72 horas do início do tratamento medicamentoso, o paciente não transmite mais a doença. Porém, a hanseníase tem evolução lenta e os sintomas podem demorar anos para se manifestar. Nesse período de incubação da doença, sem o tratamento, o risco de transmissão foi mantido”, explica Cristina Malveira.
A identificação dos contatos ocorre quando há um NOVO caso diagnosticado de hanseníase. A equipe de saúde aponta e convoca os possíveis contatos para realizar o exame dermatoneurológico, que avalia pele e nervos periféricos. Depois desse exame, os contatos são encaminhados para o teste rápido de hanseníase, feito a partir da coleta de uma gota de sangue da ponta do dedo.
Se o resultado do exame for reagente, isso não significa diagnóstico imediato da doença, mas indica risco aumentado de adoecimento. Nesse caso, o contato deve ser avaliado anualmente durante um período de cinco anos. Durante esse acompanhamento, em caso de manifestação da hanseníase, o tratamento é oferecido de forma precoce, o que contribui para prevenir incapacidades físicas e interromper a cadeia de transmissão.
No ano passado, foram realizados 390 testes rápidos em Manaus, sendo 212 nas UBSs da Semsa e 178 na Fundação Hospital Alfredo da Matta (Fuham).
“A oferta do teste rápido de hanseníase representa uma vantagem para o controle da doença em Manaus, pois possibilita a triagem ágil de contatos de casos confirmados, com resultado rápido, fácil execução na atenção primária e sem necessidade de estrutura laboratorial complexa. Isso significa que PODE ser realizado em consultórios nas Unidades Básicas de saúde ou mesmo em domicílio”, destaca Cristina Malveira.
Transmissão e panorama epidemiológico
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica, causada pelo Mycobacterium leprae, que tem evolução lenta, com período de incubação em média de dois a sete anos. A transmissão ocorre de pessoa infectada (sem tratamento) para pessoa saudável por meio de gotículas de saliva eliminadas na fala, tosse ou espirro, e as chances de transmissão são maiores quando o contato é próximo e prolongado.
O município de Manaus registrou no ano passado 106 casos novos de hanseníase, incluindo dez diagnosticados em menores de 15 anos, o que evidencia a manutenção da transmissão ativa da doença, em especial entre familiares. Em 2024, o número de casos diagnosticados chegou a 85 em adultos e três em crianças.
Segundo Cristina Malveira, apesar dos avanços e esforços nas redes de saúde, o controle da hanseníase enfrenta desafios como diagnóstico tardio em muitos casos, persistência do estigma social que dificulta a busca por atendimento e adesão ao tratamento, além de desigualdades socioeconômicas e de acesso aos serviços de saúde. Ela ressalta ainda a necessidade de cobertura regular da busca ativa de contatos em áreas periféricas e de difícil acesso, e de capacitação e fixação de profissionais na REDE básica.
A Semsa disponibiliza o teste rápido de hanseníase nas Unidades de saúde da Família (USFs) Manoel Ribeiro, Carlson Gracie e Carmen Nicolau (zona Norte); Lindalva Damasceno, Leonor de Freitas, Parque das Tribos e Mansour Bulbol (zona Oeste); Lúcio Flávio e Petrópolis (zona Sul); e Lago do Aleixo, Alfredo Campos e Severiano Nunes (zona Leste). Na zona rural, o exame é ofertado em domicílio.
Texto – Eurivânia Galúcio / Semsa
Fotos – Divulgação / Semsa
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