Longos períodos de calor exigem mudanças simples na rotina para reduzir o risco de desidratação, insolação, mal-estar e agravamento de doenças. No Amazonas, os cuidados precisam considerar também a possibilidade de estiagem, baixa umidade e presença de fumaça provocada por queimadas.
As principais dicas para enfrentar longos períodos de calor no Amazonas são manter a hidratação ao longo do dia, evitar a exposição direta ao sol nos horários mais quentes, conservar os ambientes ventilados e observar com atenção crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas. As recomendações são especialmente importantes quando as temperaturas permanecem elevadas por vários dias.
O Ministério da Saúde alerta que o calor intenso pode provocar desidratação, insolação e golpe de calor. Entre os grupos mais vulneráveis estão idosos, crianças, gestantes, pessoas com problemas cardíacos, respiratórios, renais ou circulatórios, diabéticos e pessoas em situação de rua. Veja as orientações do Ministério da Saúde. (gov.br)
1. Beba água mesmo sem sentir sede
A sede nem sempre aparece no mesmo ritmo da perda de líquidos. Por isso, a orientação é beber água em intervalos regulares, sem esperar o corpo apresentar sinais de desidratação. A publicação do Ministério da Saúde sobre mudanças climáticas recomenda, para a comunidade, o consumo de água ou líquidos sem álcool e cita a referência mínima de 2 litros por dia.
Essa quantidade não deve ser tratada como regra igual para todas as pessoas. Quem tem doença renal, insuficiência cardíaca, restrição hídrica ou usa determinados medicamentos precisa seguir a orientação do profissional de saúde. Crianças pequenas e idosos também podem precisar de acompanhamento de familiares ou cuidadores para manter a ingestão de líquidos.
Água deve ser a principal bebida. Sucos naturais e água de coco podem fazer parte da rotina, mas bebidas alcoólicas devem ser evitadas. Refrigerantes e bebidas com muito açúcar não substituem adequadamente a água. O excesso de cafeína também pode ser inadequado em períodos de calor, especialmente quando associado a uma hidratação insuficiente.
2. Adapte os horários de trabalho e exercício
Atividades físicas, serviços externos e deslocamentos devem ser planejados para os horários menos quentes sempre que possível. A recomendação geral é evitar exposição prolongada ao sol entre o fim da manhã e o meio da tarde, principalmente nos dias em que houver alerta meteorológico ou sensação térmica elevada.
Quem precisa trabalhar ao ar livre deve fazer pausas em locais com sombra ou ventilação, beber água com frequência e usar roupas leves. Chapéu, boné, camisa de manga comprida e outros itens de proteção podem reduzir a exposição direta ao sol. A roupa deve permitir a transpiração e não aumentar o aquecimento do corpo.
O exercício não precisa ser abandonado, mas a intensidade e o horário devem ser ajustados. Atividades extenuantes em ambientes quentes aumentam o risco de insolação. Dor de cabeça, tontura, fraqueza, náusea, cãibras e transpiração excessiva são sinais de que a pessoa deve interromper o esforço, ir para um local fresco e iniciar a hidratação.
3. Mantenha a casa mais fresca
Durante a manhã cedo e à noite, quando o ar costuma estar mais ameno, abrir portas e janelas pode favorecer a circulação. Nas horas mais quentes, cortinas, persianas ou outros recursos de proteção devem ser usados para reduzir a entrada de radiação solar. Se o ar externo estiver mais quente do que o interno, manter as janelas fechadas pode ajudar a conservar o ambiente.
Ventiladores e aparelhos de ar-condicionado devem ser utilizados com atenção à limpeza e à manutenção. Em locais sem esses equipamentos, banhos frescos, roupas leves e panos úmidos podem proporcionar alívio temporário. O Ministério da Saúde também recomenda manter a pele hidratada e priorizar banhos frios, inclusive antes de dormir. (gov.br)
O uso de umidificadores pode ser considerado quando a umidade estiver baixa, mas o aparelho precisa ser higienizado corretamente. Ambientes úmidos demais e equipamentos sem limpeza podem favorecer mofo e outros problemas respiratórios. Também é importante evitar o uso de água acumulada em recipientes abertos, sobretudo no período de estiagem.
4. Dê atenção especial a crianças e idosos
Crianças pequenas podem não identificar ou comunicar adequadamente a sede, enquanto pessoas idosas podem apresentar menor percepção da necessidade de beber água. Familiares, professores e cuidadores devem oferecer líquidos regularmente e observar alterações de comportamento, sonolência, fraqueza, irritabilidade, boca seca e redução da urina.
Bebês, crianças, idosos e gestantes devem permanecer, sempre que possível, em ambientes ventilados e protegidos do sol. O cuidado deve ser redobrado durante viagens, deslocamentos longos, atividades escolares, permanência em filas e eventos ao ar livre.
Nunca deixe crianças, idosos, animais ou qualquer pessoa dentro de veículos estacionados, mesmo por poucos minutos. A temperatura interna pode subir rapidamente, e a ventilação insuficiente amplia o risco de mal-estar e emergência médica.
5. Pessoas com doenças crônicas precisam revisar a rotina
O calor pode aumentar o esforço do organismo para controlar a temperatura e agravar sintomas de doenças cardíacas e respiratórias. Pessoas com diabetes, hipertensão, problemas renais, doenças pulmonares, insuficiência cardíaca ou outras condições crônicas devem manter o acompanhamento e observar mudanças no estado de saúde.
Medicamentos não devem ser suspensos, substituídos ou ajustados por conta própria. Em períodos de calor prolongado, alguns pacientes podem precisar de orientação individual sobre hidratação, alimentação, atividade física e uso de remédios. A recomendação é procurar a equipe de saúde responsável diante de sintomas novos ou piora de uma condição já conhecida.
Pessoas que usam medicamentos que exigem armazenamento específico devem conferir as instruções da embalagem ou confirmar com o serviço de saúde e a farmácia como protegê-los do calor. O mesmo vale para insulina e outros produtos sensíveis à temperatura.
6. Prefira refeições leves e alimentos seguros
Frutas, verduras, legumes e refeições leves tendem a ser mais adequados nos dias de calor do que pratos muito gordurosos ou de digestão difícil. A alimentação também contribui para a oferta de líquidos, mas não substitui o consumo regular de água.
O calor acelera a deterioração de alimentos. Carnes, laticínios, ovos, molhos e preparações prontas devem ser conservados de acordo com as orientações de segurança alimentar. Alimentos que permaneceram por longo período fora de refrigeração podem causar vômitos e diarreia, aumentando ainda mais o risco de desidratação.
Em caso de vômitos ou diarreia, é importante aumentar a atenção à reposição de líquidos e procurar orientação de um serviço de saúde, principalmente quando a pessoa afetada for criança, idosa, gestante ou tiver alguma doença crônica.
7. Proteja a pele e os olhos
A exposição ao sol pode causar queimaduras e aumentar o desconforto provocado pelo calor. O uso de roupas que protejam a pele, chapéu ou boné e óculos escuros com proteção contra radiação ultravioleta ajuda a reduzir os efeitos da exposição.
O protetor solar deve ser aplicado conforme as instruções do fabricante e reaplicado quando necessário, especialmente após suor intenso ou contato com água. A proteção deve ser combinada com sombra e redução do tempo de exposição, pois o filtro solar não elimina os riscos de permanecer por horas sob o sol.
8. Redobre o cuidado quando houver fumaça
Períodos de estiagem e calor podem ocorrer junto com queimadas e piora da qualidade do ar. Nesses dias, a população deve acompanhar os boletins meteorológicos e os comunicados oficiais sobre fumaça e poluição. Pessoas com asma, rinite, doença pulmonar, doença cardíaca, crianças, idosos e gestantes precisam de atenção especial.
Quando a fumaça estiver intensa, a orientação é reduzir o tempo ao ar livre, evitar exercícios externos e manter portas e janelas fechadas se o ar do lado de fora estiver mais poluído. A Defesa Civil do Amazonas também recomenda não queimar lixo, não provocar queimadas e procurar atendimento médico diante de problemas respiratórios. Confira as recomendações da Defesa Civil do Amazonas. (defesacivil.am.gov.br)
Máscaras do tipo PFF2 ou N95 podem reduzir a inalação de partículas finas, desde que estejam bem ajustadas ao rosto. Elas não substituem a necessidade de afastamento da fumaça nem resolvem todos os problemas relacionados à poluição do ar. Crianças pequenas e pessoas com dificuldade respiratória devem receber orientação profissional sobre o uso.
9. Elimine recipientes que acumulam água
O armazenamento de água pode aumentar durante a estiagem, mas caixas-d’água, baldes, tonéis e outros recipientes precisam permanecer tampados. Também é necessário verificar pneus, garrafas, vasos de plantas, calhas e objetos deixados no quintal.
O calor pode acelerar o ciclo de desenvolvimento do Aedes aegypti, mas a reprodução do mosquito depende da existência de água parada. A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas recomenda manter recipientes limpos, secos ou protegidos para evitar criadouros de dengue, zika e chikungunya. (fvs.am.gov.br)
10. Saiba reconhecer os sinais de gravidade
Transpiração excessiva, fraqueza, tontura, dor de cabeça, náusea e cãibras podem indicar que o corpo está sofrendo com o calor. A pessoa deve ser levada para um ambiente fresco, receber líquidos se estiver consciente e conseguir beber, e ser observada de perto.
Confusão mental, desmaio, convulsão, alteração importante do comportamento, pele muito quente e incapacidade de beber são sinais de emergência. O golpe de calor pode ser fatal e exige atendimento rápido. Nessa situação, acione o SAMU pelo número 192 e siga as orientações do atendente. (gov.br)
Enquanto o atendimento não chega, a pessoa deve ser retirada do sol e colocada em local fresco e ventilado. Roupas excessivas podem ser removidas. Não ofereça líquidos a alguém desacordado, confuso ou com dificuldade para engolir, pois existe risco de engasgo.
Planejamento reduz os riscos
Enfrentar longos períodos de calor no Amazonas depende menos de uma medida isolada e mais da combinação de cuidados diários. Manter água disponível, organizar atividades em horários menos quentes, proteger os ambientes, acompanhar os alertas oficiais e observar pessoas vulneráveis são atitudes que reduzem a possibilidade de complicações.
Quando o calor vier acompanhado de fumaça, estiagem ou piora da qualidade do ar, a rotina deve ser adaptada novamente. Em caso de sintomas persistentes ou sinais de gravidade, a orientação é procurar uma unidade de saúde e não esperar que o mal-estar desapareça sozinho.



