Procon-AM alerta para o uso de inteligência artificial em golpes que simulam vozes e rostos de figuras públicas durante o Mês do Consumidor.
O Instituto de Defesa do Consumidor do Amazonas (Procon-AM) registrou aumento de casos em que a inteligência artificial é usada para criar deepfakes de consumo que simulam a voz e o rosto de celebridades e influenciadores, com o objetivo de induzir consumidores a prejuízos financeiros. A prática foi identificada no contexto do Mês do Consumidor, no estado do Amazonas, e tem como método a oferta de produtos supostamente gratuitos mediante o pagamento apenas do frete.
Crescimento dos casos e dados
De acordo com o Panorama da Desinformação no Brasil, elaborado pelo Observatório Lupa, os registros de conteúdo que simulam situações reais passaram de 39 casos em 2024 para 159 em 2025, um aumento de 308%. No Amazonas, em 2025 foi registrado o primeiro caso de golpe financeiro com uso de inteligência artificial envolvendo clonagem de rostos. Outras modalidades citadas incluem a criação de vídeos e áudios falsos para divulgar supostos investimentos ou promoções.
Como funcionam os golpes
Os criminosos reproduzem a aparência e a fala de apresentadores, influenciadores digitais e outras figuras públicas para ganhar credibilidade. Em muitos casos, anunciam brindes ou descontos agressivos e pedem apenas o pagamento do frete, o que facilita cliques em links e o fornecimento de dados pelos consumidores.
Segundo o diretor-presidente do Procon-AM, Jalil Fraxe, a estratégia é usar rostos conhecidos para baixar a guarda do público. “O consumidor confia no rosto que está vendo na tela. Quando uma figura pública aparece dizendo que uma empresa está dando um brinde ou um desconto agressivo, a vítima acaba clicando no link sem checar a veracidade”, explica o diretor-presidente do Procon-AM.
Os alvos preferenciais são produtos de maior valor, como smartphones e eletrodomésticos, oferecidos como gratuitos com a exigência apenas do pagamento do frete.
Como identificar a fraude
O Procon-AM aponta sinais que podem indicar a presença de um deepfake: 1) sincronia labial – observar se a fala corresponde ao movimento da boca; 2) expressões faciais – piscar irregular ou sombras estranhas ao redor do rosto e pescoço; 3) destino do pagamento – quando o PIX ou boleto é direcionado a uma pessoa física ou a uma empresa que não corresponde ao nome oficial da loja anunciada.
Apesar da sofisticação das técnicas, esses vestígios podem ajudar a detectar manipulação antes de efetuar qualquer pagamento.
Canais de denúncia e orientação
O órgão orienta que o consumidor não clique em links de ofertas recebidos por aplicativos de mensagens ou em anúncios de redes sociais sem antes verificar o site oficial da empresa. Em caso de propaganda suspeita ou de vítima do golpe, o consumidor deve procurar o Procon-AM pelos telefones 0800 092 1512 ou (92) 3215-4009, ou atendimento presencial na sede do Procon-AM, na avenida André Araújo, Aleixo.
Caso prefira, também é possível acionar a delegacia Especializada em Crimes contra o Consumidor pelo número (92) 99962-2731 ou registrar boletim de ocorrência por meio da delegacia Virtual (BO On-line) no site www.delegaciainterativa.am.gov.br.
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