quarta-feira, 30 de setembro de 2026
SAÚDE

Como proteger os olhos durante dias de sol forte no Amazonas

Em períodos de sol intenso no Amazonas, proteger os olhos exige mais do que usar lentes escuras. Veja como escolher óculos adequados, reduzir a exposição aos raios ultravioleta e reconhecer sinais de alerta.

Proteger os olhos no sol forte é uma medida importante para quem passa longos períodos ao ar livre no Amazonas. A exposição à radiação ultravioleta, também conhecida como radiação UV, pode causar irritação imediata e contribuir para problemas oculares ao longo do tempo.

O cuidado não deve ser limitado aos dias de céu completamente aberto. A radiação ultravioleta não é visível e pode estar presente mesmo quando há nuvens. Além disso, superfícies como água, areia, concreto e outras áreas claras refletem parte da radiação e aumentam a exposição dos olhos.

As principais medidas de prevenção incluem usar óculos de sol com proteção comprovada contra os raios UVA e UVB, preferir modelos que cubram bem a região dos olhos, utilizar chapéu ou boné de abas largas e evitar a permanência prolongada sob o sol nos períodos de maior intensidade.

Por que o sol forte pode prejudicar a visão

A radiação ultravioleta pode atingir diferentes estruturas dos olhos. Em exposições intensas, pode provocar inflamações na córnea e na conjuntiva, causando dor, ardência, lacrimejamento, vermelhidão e sensibilidade à luz. Esses efeitos podem aparecer depois de algumas horas de exposição.

A exposição repetida e sem proteção também está associada a alterações de longo prazo, como catarata e pterígio, uma espécie de crescimento de tecido na superfície do olho. A Organização Mundial da Saúde relaciona a radiação ultravioleta a diferentes danos oculares e recomenda a adoção de medidas de proteção quando o índice ultravioleta está elevado. Veja as orientações da Organização Mundial da Saúde. (who.int)

Crianças e adolescentes precisam de atenção especial. Segundo a OMS, os olhos nessa faixa etária são mais sensíveis à radiação ultravioleta. Por isso, a proteção deve ser incorporada à rotina desde cedo, principalmente em atividades ao ar livre, passeios, deslocamentos, práticas esportivas e permanência próxima a rios e piscinas. (who.int)

Óculos escuros precisam ter proteção UV

A cor escura das lentes, sozinha, não garante proteção contra a radiação ultravioleta. O principal critério de escolha é a informação de que o produto bloqueia 99% ou 100% dos raios UVA e UVB ou possui classificação UV400.

O National Eye Institute, órgão norte-americano dedicado à saúde ocular, recomenda verificar essa indicação antes da compra. O preço ou a marca do acessório não são, por si só, garantias de proteção. Óculos mais caros não necessariamente oferecem melhor bloqueio de radiação, enquanto modelos simples podem ser adequados quando trazem informação confiável sobre a proteção UV. (nei.nih.gov)

Também é importante observar o encaixe. Modelos que ficam próximos ao rosto e cobrem parte das laterais reduzem a entrada de luz e de radiação pelos espaços ao redor das lentes. Óculos de formato envolvente são especialmente úteis em atividades com exposição intensa, como caminhadas, ciclismo, trabalho ao ar livre e deslocamentos em áreas abertas.

As lentes polarizadas podem ajudar a diminuir o reflexo provocado pela água, pelo asfalto e por outras superfícies brilhantes. No entanto, a polarização não substitui a proteção contra os raios UVA e UVB. O produto deve oferecer as duas características quando o objetivo é reduzir o impacto do sol sobre os olhos.

Chapéu e sombra reforçam a proteção

O uso de óculos deve ser combinado com outras medidas. Chapéus de abas largas ajudam a diminuir a incidência direta de luz sobre os olhos, o rosto e as laterais da cabeça. Bonés também podem oferecer alguma proteção frontal, mas deixam parte da região lateral exposta.

Buscar sombra é outra estratégia importante, principalmente nos horários em que a radiação solar tende a ser mais intensa. A sombra, entretanto, não bloqueia completamente a radiação refletida pelo ambiente. Por isso, permanecer sob uma cobertura não elimina a necessidade de usar óculos e, quando indicado, outras formas de proteção.

O Instituto Nacional de Câncer recomenda evitar a exposição direta ao sol, sempre que possível, especialmente entre 10h e 16h, e utilizar chapéus, óculos escuros, roupas de mangas longas e outras barreiras físicas durante atividades externas. Embora essas orientações sejam amplas para a proteção contra a radiação solar, elas também ajudam a reduzir a exposição dos olhos. (gov.br)

Cuidados em rios, piscinas e áreas abertas

No Amazonas, atividades próximas à água podem aumentar o desconforto causado pelo excesso de luminosidade. A superfície da água reflete a luz e pode intensificar o brilho percebido. Em passeios de barco, pescarias, praias de rio e atividades recreativas, o uso de óculos com proteção UV deve ser mantido durante todo o período de exposição.

Quem utiliza lentes de contato precisa seguir as orientações do oftalmologista e do fabricante. As lentes não devem ser consideradas substitutas dos óculos de sol. Mesmo quando determinado modelo oferece algum bloqueio contra raios ultravioleta, ele não cobre toda a superfície ocular nem protege a pele ao redor dos olhos. O uso de óculos de sol sobre as lentes continua sendo recomendado. (nei.nih.gov)

Também é necessário evitar o uso de lentes de contato em piscinas, rios, lagos ou no mar sem orientação profissional específica. A água pode carregar microrganismos e substâncias irritantes. Caso os olhos fiquem vermelhos ou ardendo após o contato com água, a recomendação é não coçar a região e procurar avaliação se os sintomas persistirem ou forem intensos.

Como proteger crianças e pessoas que trabalham ao ar livre

Para crianças, os óculos precisam ser confortáveis, resistentes e adequados ao tamanho do rosto. O acessório deve permanecer bem ajustado sem apertar. Quando a criança não se adapta aos óculos, o uso de chapéu de abas largas e a permanência em locais protegidos ajudam a reduzir a exposição.

É importante que adultos supervisionem o uso durante atividades externas. A proteção deve ser mantida em deslocamentos, brincadeiras, práticas esportivas e passeios, e não apenas em praias ou piscinas.

Trabalhadores que permanecem muitas horas expostos ao sol, como agricultores, pescadores, entregadores, vendedores ambulantes e profissionais de obras ou manutenção, devem combinar óculos com proteção UV, chapéu ou outro tipo de cobertura e pausas em locais sombreados. Quando houver risco de poeira, partículas ou objetos lançados, o equipamento de proteção deve ser escolhido de acordo com a atividade. Óculos escuros comuns não substituem óculos de segurança contra impactos.

Sol, vento e ar-condicionado podem aumentar o desconforto

Além da radiação UV, o vento, a poeira e o ar-condicionado podem contribuir para o ressecamento e a irritação ocular. Esses fatores podem causar sensação de areia nos olhos, ardência, lacrimejamento e vermelhidão.

Medidas simples, como evitar o vento direto no rosto, usar óculos em deslocamentos ao ar livre e manter uma boa hidratação, podem ajudar a diminuir o desconforto. O uso de colírios lubrificantes deve seguir orientação de um profissional, especialmente para pessoas que já têm doenças oculares ou utilizam outros medicamentos.

Não é recomendado pingar nos olhos produtos caseiros, colírios emprestados ou medicamentos sem indicação. A automedicação pode mascarar sintomas e atrasar o diagnóstico de uma lesão ou infecção.

O que fazer diante de dor ou visão embaçada

Depois de uma exposição prolongada ao sol, sintomas como dor intensa, vermelhidão persistente, sensibilidade acentuada à luz, lacrimejamento contínuo, secreção ou visão embaçada devem ser avaliados por um profissional de saúde.

O atendimento também é indicado quando há sensação de corpo estranho que não melhora, trauma, contato com produtos químicos ou piora progressiva do desconforto. Até a avaliação, a pessoa deve evitar coçar os olhos, suspender o uso de lentes de contato e não utilizar medicamentos por conta própria.

Em caso de exposição direta a fontes muito intensas de luz, como equipamentos de solda ou outras fontes artificiais de radiação, a avaliação deve ser ainda mais rápida. Esses equipamentos podem provocar lesões diferentes das causadas pela exposição cotidiana ao sol.

Checklist para dias de sol intenso

  • Escolha óculos com indicação de proteção de 99% ou 100% contra UVA e UVB ou classificação UV400.
  • Prefira modelos que cubram bem a frente e as laterais dos olhos.
  • Use chapéu de abas largas, especialmente em atividades prolongadas ao ar livre.
  • Procure sombra e reduza o tempo de exposição nos períodos de maior intensidade solar.
  • Mantenha a proteção mesmo em locais próximos à água, onde há maior reflexão da luz.
  • Não olhe diretamente para o sol, mesmo usando óculos escuros.
  • Não considere lentes de contato um substituto para os óculos de sol.
  • Evite coçar os olhos e não use colírios sem orientação.
  • Procure atendimento diante de dor, vermelhidão persistente, secreção ou alteração na visão.

Proteger os olhos durante dias de sol forte no Amazonas depende de uma combinação de hábitos. O uso correto de óculos com proteção UV, associado ao chapéu, à sombra e à redução do tempo de exposição, ajuda a prevenir irritações e a diminuir os riscos relacionados à radiação ultravioleta.

As medidas são simples, mas devem ser mantidas de forma regular. A proteção ocular não deve ser reservada apenas para passeios ou períodos de calor intenso: sempre que houver exposição prolongada ao sol, os olhos também precisam de cuidado.

Fontes: Organização Mundial da Saúde, National Eye Institute e Instituto Nacional de Câncer.