quarta-feira, 30 de setembro de 2026
SAÚDE

Como evitar queimaduras solares durante passeios no Amazonas

Passeios ao ar livre no Amazonas exigem cuidados contra queimaduras solares, inclusive em dias nublados e durante atividades na água. Veja como usar protetor solar, escolher roupas e reconhecer sinais de alerta.

Quem planeja passeios de barco, trilhas, praias fluviais ou outras atividades ao ar livre no Amazonas precisa incluir a proteção contra o sol no planejamento. A exposição prolongada à radiação ultravioleta pode causar vermelhidão, dor, descamação e bolhas, além de contribuir para o envelhecimento da pele e aumentar o risco de câncer de pele ao longo da vida.

O calor nem sempre é um indicador confiável do risco. A radiação ultravioleta pode atingir a pele em dias nublados e também durante atividades na água. Por isso, a prevenção deve combinar sombra, roupas que cubram o corpo, chapéu, óculos com proteção UV e protetor solar. O Ministério da Saúde recomenda evitar a exposição direta entre 10h e 16h, quando a incidência dos raios ultravioleta costuma ser mais intensa.

Por que os passeios na água exigem atenção redobrada

Durante um passeio de barco ou uma parada em praia fluvial, a pessoa pode permanecer exposta por várias horas sem perceber. A água oferece proteção limitada contra a radiação ultravioleta, e superfícies claras ou refletivas podem aumentar a quantidade de radiação recebida pela pele. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a água, a areia e outras superfícies podem refletir parte da radiação ultravioleta.

O vento também pode mascarar a sensação de calor. Em uma embarcação em movimento, a brisa reduz o desconforto térmico, mas não impede que os raios solares atinjam o rosto, os braços, as pernas, o pescoço e as orelhas. O mesmo vale para trilhas abertas, áreas de banho e locais sem cobertura vegetal suficiente.

Outro equívoco comum é imaginar que a pele está protegida porque o céu está encoberto. A nebulosidade reduz parte da radiação, mas não bloqueia completamente os raios ultravioleta. A orientação do Ministério da Saúde é manter as medidas de proteção também em dias nublados.

Escolha o horário antes de sair

Uma das formas mais eficazes de evitar queimaduras solares é reduzir o tempo de exposição nos períodos de maior intensidade. Sempre que possível, o roteiro deve priorizar o início da manhã ou o fim da tarde. Entre 10h e 16h, a recomendação é procurar sombra, fazer pausas e evitar permanecer diretamente sob o sol por longos períodos.

Essa decisão é especialmente importante em passeios com crianças, idosos, pessoas de pele clara e indivíduos que não estão acostumados à exposição solar. O risco também merece atenção em atividades que dificultam a reaplicação do protetor, como trilhas longas, deslocamentos de barco e visitas a áreas sem estrutura.

Consultar a previsão do índice ultravioleta pode ajudar a definir o melhor horário e o nível de proteção necessário. Quanto maior o índice, mais importante é limitar o tempo ao ar livre e combinar diferentes barreiras contra o sol.

Como usar o protetor solar corretamente

O protetor solar deve ser aplicado antes da saída, em todas as áreas expostas. É importante cobrir regiões frequentemente esquecidas, como orelhas, nuca, pescoço, dorso das mãos, peito dos pés, ombros e parte superior da cabeça quando não houver cabelo suficiente para protegê-la.

Para atividades ao ar livre, dermatologistas recomendam um produto de amplo espectro, com proteção contra radiações UVA e UVB, fator de proteção solar, ou FPS, de 30 ou mais e resistência à água. A Academia Americana de Dermatologia orienta reaplicar o produto a cada duas horas e também depois de nadar, suar ou se secar com toalha.

A resistência à água não significa que o produto permaneça intacto durante todo o passeio. O contato com a água, a transpiração, o atrito da roupa e o uso de toalha podem reduzir a proteção. Por isso, o protetor deve ser levado em local acessível e reaplicado sempre que necessário.

Também é importante seguir as instruções do rótulo. A proteção indicada depende da quantidade aplicada e da forma de uso. Passar uma camada muito fina pode reduzir o efeito esperado do produto. O protetor não deve ser usado como justificativa para prolongar a exposição ao sol, mas como parte de uma estratégia mais ampla de proteção.

Os lábios também precisam de cuidado. Durante passeios prolongados, prefira protetor labial com fator de proteção solar. Em caso de irritação, suspenda o uso e procure orientação de um profissional de saúde.

Roupas, chapéu e óculos ajudam a reduzir a exposição

As roupas funcionam como uma barreira física e são especialmente úteis em atividades longas. Camisas leves de manga longa, calças compridas e peças de tecido fechado podem proteger áreas que receberiam radiação durante várias horas. Algumas roupas específicas têm indicação de fator de proteção ultravioleta, identificado na etiqueta.

Para passeios de barco, o chapéu deve proteger não apenas o topo da cabeça, mas também o rosto, as orelhas e a nuca. Modelos de aba larga costumam cobrir uma área maior do que bonés convencionais. Se a atividade envolver vento, é importante escolher um modelo que permaneça firme e não limite a visão.

Os óculos de sol devem ter proteção contra os raios UVA e UVB. Além de ajudarem a reduzir o desconforto causado pela claridade, eles protegem os olhos da radiação ultravioleta. Óculos sem proteção adequada podem escurecer a visão sem bloquear os raios nocivos, por isso a indicação deve constar na identificação do produto.

O Ministério da Saúde recomenda o uso de chapéu, roupas apropriadas, óculos de sol e protetor solar, inclusive nos lábios, como parte da prevenção contra os danos da exposição solar.

O que levar na mochila ou na embarcação

Uma preparação simples pode evitar que a proteção seja esquecida durante o passeio. O conjunto básico inclui protetor solar, protetor labial, chapéu ou boné, óculos de sol, camisa de manga longa, água potável e uma peça seca para trocar depois de atividades na água.

O protetor deve ficar protegido do calor excessivo e em local de fácil acesso. Não é recomendável deixá-lo exposto por longos períodos ao sol ou dentro de compartimentos muito quentes, porque as condições de armazenamento podem afetar o produto. O prazo de validade e as orientações do fabricante também devem ser observados.

Em roteiros com paradas, vale estabelecer horários para reaplicar o protetor e fazer pausas em áreas cobertas. A sombra de árvores, toldos e estruturas de apoio reduz a exposição direta, mas não elimina totalmente a radiação refletida. Por isso, mesmo na sombra, as roupas e o protetor continuam importantes.

Crianças precisam de supervisão constante

Crianças podem se queimar rapidamente porque brincam, entram na água e nem sempre percebem o desconforto causado pelo sol. Cabe aos responsáveis aplicar o protetor, reaplicá-lo nos intervalos indicados e verificar se áreas como orelhas, pescoço, ombros e pernas continuam cobertas.

Chapéus, roupas com proteção e pausas frequentes na sombra devem fazer parte da rotina. Bebês e crianças pequenas exigem atenção especial. Para bebês menores de 6 meses, a utilização de protetores deve seguir orientação médica, conforme as advertências de produtos e recomendações de saúde.

Durante a atividade, sinais como irritação, vermelhidão intensa, cansaço fora do normal, dor de cabeça, tontura ou fraqueza indicam a necessidade de interromper a exposição, levar a pessoa para um local fresco e oferecer líquidos, quando ela estiver consciente e puder beber. Crianças que apresentarem sintomas persistentes devem ser avaliadas por um profissional de saúde.

Hidratação também faz parte da prevenção

A queimadura solar e a insolação são problemas diferentes, mas podem ocorrer durante a mesma atividade ao ar livre. A exposição prolongada, o calor, o esforço físico e a falta de líquidos aumentam o risco de mal-estar e desidratação.

Levar água e fazer pausas regulares ajuda a reduzir esse risco. O Ministério da Saúde recomenda a ingestão de líquidos e a redução da exposição nos horários mais quentes. Bebidas alcoólicas não são uma boa opção para hidratar, porque podem contribuir para a desidratação.

Confusão mental, desmaio, vômitos persistentes, dificuldade para respirar, temperatura corporal muito elevada ou alteração importante do estado de consciência exigem atendimento médico imediato. Nesses casos, a pessoa deve ser retirada do sol enquanto o serviço de emergência é acionado.

O que fazer se a queimadura já apareceu

Se a pele ficar vermelha, quente, dolorida ou sensível depois do passeio, a exposição solar deve ser interrompida. A pessoa deve permanecer em local fresco, evitar novo contato com o sol e manter a hidratação. Banhos frescos, sem água muito fria ou gelo diretamente sobre a pele, podem aliviar o desconforto.

Não é recomendado estourar bolhas, arrancar a pele que está descamando ou aplicar substâncias caseiras sem orientação. Queimaduras extensas, com muitas bolhas, dor intensa, sinais de infecção, febre, mal-estar importante ou acometimento do rosto e dos olhos devem ser avaliadas por um profissional de saúde.

Depois de uma queimadura, a pele continua vulnerável. O ideal é evitar nova exposição até a recuperação e redobrar os cuidados nos passeios seguintes. Queimaduras repetidas ao longo da vida aumentam os danos acumulados causados pela radiação ultravioleta.

Checklist antes do passeio

  • Verifique o horário e, se possível, escolha períodos de menor intensidade solar.
  • Aplique protetor solar antes de sair, seguindo as instruções do rótulo.
  • Leve o produto para reaplicar a cada duas horas e após água, suor ou toalha.
  • Use camisa, chapéu ou boné e óculos com proteção contra raios UVA e UVB.
  • Inclua água suficiente para o trajeto e planeje pausas na sombra.
  • Proteja crianças, idosos e pessoas com maior sensibilidade ao sol.
  • Não confie apenas na sensação de calor: a radiação ultravioleta também está presente em dias nublados.

Com planejamento e medidas combinadas, é possível aproveitar os passeios no Amazonas com menos risco de queimaduras solares. O protetor solar é importante, mas não substitui a sombra, as roupas adequadas, o chapéu, os óculos e a redução do tempo de exposição.