A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), promoveu, na quarta-feira, 26/2, o seminário “O adolescente e suas peculiaridades”, direcionado a cem profissionais que atuam no atendimento de adolescentes, entre médicos clínicos, médicos de saúde da família, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais. A programação aconteceu na Maternidade Dr. Moura Tapajóz (MMT), localizada na avenida Brasil, no bairro Compensa, zona Oeste, com duas turmas, a primeira das 8h às 12h, e a segunda, das 13h às 17h.
A chefe do Núcleo de Atenção à Saúde da Criança e do Adolescente da Semsa, enfermeira Janaína de Sá Terra, destacou que o curso é uma iniciativa para marcar o mês de Prevenção da Gravidez na Adolescência. “Nosso objetivo é qualificar os profissionais no atendimento aos adolescentes na rede de saúde, para saberem lidar com as especificidades dessa fase da vida e estarem preparados para orientar esse público de forma adequada”, explicou.
Pela manhã, o médico Frederico Germano Lopes palestrou sobre o tema “Maturação sexual e o atendimento do adolescente na Atenção Primária à Saúde (APS)”. Ele afirmou que o seminário é essencial para os profissionais que atuam nas unidades básicas e na saúde da família, onde o atendimento a esse público apresenta nuances bem complexas.
“O adolescente é um público prioritário em termos de políticas públicas, então, estrategicamente, pelas suas características de transição, físicas e psíquicas, exige um olhar diferenciado do profissional de saúde, não somente no contexto biológico, mas no contexto psicossocial e também espiritual”, disse o médico.
Durante a capacitação, também foram promovidas palestras sobre os temas: “Gravidez na adolescência: aspectos psicológicos e sociais”, com o psicólogo Fernando Ferreira; e “Métodos contraceptivos para evitar a gravidez não intencional”, com a médica Zélia Campos; além da apresentação da Agenda Cuidar e Proteger, que é um instrumento elaborado pelo Ministério da Saúde para orientar o atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS). À tarde, a médica Gisele de Jesus Bertolo foi a responsável por conduzir a temática sobre a maturação sexual.
“Ainda temos, em nosso Estado e em nossa capital, um alto índice de gestações de adolescentes. Nesse seminário, vamos abordar a questão da consulta do adolescente, o que o profissional deve observar e como deve ser a abordagem nesses casos. Também será tratada a questão da contracepção e o manejo dos aspectos psicológicos, emocionais, sociais e econômicos de uma gravidez não intencional na adolescência”, apontou a enfermeira Janaína de Sá Terra.
A diretora da MMT, Núbia Cruz, destacou a importância da capacitação para ampliar a qualidade e a resolutividade do serviço ofertado pela Semsa para essa faixa etária. “Aqui na Moura Tapajóz, temos, mais frequentemente do que gostaríamos de ver, casos de gravidez não intencional na adolescência, e podemos testemunhar quão complexa é essa situação, que coloca em risco, muitas vezes, tanto a saúde da mãe quanto a do bebê, já que o corpo da adolescente, em geral, ainda não está completamente apto a gerar uma criança”, enfatizou a diretora.
Em 2024, 452 mães adolescentes deram à luz na Moura Tapajóz, 15,37% do total do ano passado. O Ministério da Saúde define como adolescência a faixa etária entre 10 e 19 anos. Dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc), do Sistema Único de Saúde (SUS), indicam que um a cada sete bebês no Brasil tem mãe adolescente. Em média, 1.043 adolescentes tornam-se mães diariamente, sendo que, a cada hora, 44 bebês nascem de mães adolescentes, incluindo duas com idades entre 10 e 14 anos.
O parto prematuro é uma das maiores preocupações de uma gestação precoce, pois pode acarretar diversas complicações para o bebê, como internações prolongadas, tratamentos intensivos e risco de infecções. Além disso, essa situação impõe à adolescente a necessidade de assumir responsabilidades significativas, o que, na maioria das vezes, resulta no abandono escolar. Muitas vezes, ela não consegue retomar os estudos e concluir sua educação, o que impacta diretamente o futuro da família, perpetuando um ciclo de vulnerabilidade.
Durante a capacitação, a médica Zélia Campos falou sobre os métodos contraceptivos disponíveis na Semsa, que abrangem a dispensação de preservativos masculinos e femininos, disponibilizados nas UBSs de forma rotineira, sem burocracia ou necessidade de cadastro; inserção do Dispositivo Intrauterino (DIU), disponível em 33 Unidades de Saúde da rede municipal; e a oferta de contraceptivos orais e injetáveis.
“Buscamos destacar a importância e a necessidade de ampliar a publicidade sobre a oferta de contraceptivos, que são distribuídos gratuitamente, para os adolescentes, pois não há nenhuma razão médica que impeça a administração de contraceptivos para esse público, ou seja, não há efeitos negativos para sua saúde”, avaliou a médica.
A Semsa também oferece a contracepção de emergência, que deve ser administrada em até cinco dias após a relação sexual desprotegida. “Nesse caso, é usada a chamada ‘pílula do dia seguinte’, mas é um método que deve ser uma exceção em casos de emergência, e não utilizada de forma rotineira”, ressaltou a enfermeira Janaína de Sá Terra.
Janaína também destacou que as unidades da Atenção Primária realizam diversas ações durante todo o ano para o cuidado com a saúde dos adolescentes, com atividades de educação em saúde, consultas e orientações sobre os aspectos relacionados ao público adolescente.
“A gravidez na adolescência continua sendo um desafio de saúde pública, exigindo estratégias intersetoriais para prevenção e acolhimento, e essas ações são fundamentais para que os jovens compreendam os riscos associados à gravidez e às Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs)”, concluiu a enfermeira.
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Texto e fotos – Marcella Normando/Semsa