FVS-RCP reuniu representantes dos 62 municípios nos dias 21 e 22 de janeiro para planejar vacinação preventiva contra a raiva em áreas de difícil acesso.
A Fundação de Vigilância em saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) realizou, nos dias 21 e 22 de janeiro, de forma virtual, uma reunião técnica com representantes dos 62 municípios do Amazonas para discutir a inclusão da profilaxia pré-exposição antirrábica humana no calendário de vacinação voltado a comunidades de difícil acesso. O encontro teve como foco a proteção de crianças e adolescentes de 1 a 15 anos em territórios ribeirinhos, indígenas, quilombolas e rurais da Amazônia Legal.
Objetivo e público-alvo
A estratégia prioriza crianças e adolescentes de 1 a 15 anos residentes em comunidades ribeirinhas, indígenas dos DSEI prioritários, quilombolas e áreas rurais de difícil acesso da Amazônia Legal. O público foi definido por apresentar maior vulnerabilidade à transmissão da raiva, especialmente pela exposição a morcegos hematófagos, atualmente o principal transmissor da doença no país.
De acordo com a diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, a iniciativa visa fortalecer a prevenção em territórios com acesso restrito aos serviços de saúde. Ela destacou que a raiva é uma doença viral evitável por vacinação e que, após o início dos sintomas, a evolução é grave e fatal, o que torna essencial promover proteção antecipada para reduzir riscos.
Detalhes da estratégia e operacionalização
Os municípios do Amazonas já dispõem de calendário de vacinação vigente nessas áreas, com territórios previamente mapeados e dados atualizados. A partir dessas informações será possível incorporar a vacinação antirrábica humana ao calendário estadual e subsidiar o planejamento do quantitativo de doses a ser solicitado ao Ministério da saúde.
Segundo a gerente de Imunização do Amazonas da FVS-RCP, Angela Desirée, o alinhamento técnico com os municípios é decisivo para a operacionalização. O mapeamento das áreas e da população elegível permite organizar a logística, otimizar o uso das doses e apoiar uma execução mais eficiente da vacinação, respeitando as especificidades dos territórios de difícil acesso.
O médico-veterinário da FVS-RCP, Deugles Pinheiro, apontou que a população indígena apresenta maior vulnerabilidade aos agravos relacionados a animais. O modo de vida em áreas de floresta amplia o contato com morcegos e outros mamíferos silvestres, além da exposição a animais peçonhentos.
Esquema vacinal e condutas após exposição
A profilaxia pré-exposição antirrábica humana é composta por duas doses: a primeira no dia da aplicação (dia 0) e a segunda a partir de sete dias após a primeira. Em caso de mordida ou arranhadura após a pré-imunização, o organismo já possui anticorpos e será necessária apenas a aplicação de duas doses de reforço, conforme a profilaxia pós-exposição, favorecendo uma resposta imunológica mais rápida.
A orientação técnica da FVS-RCP é que a vacinação ocorra preferencialmente até o final do período chuvoso, quando os níveis dos rios facilitam o acesso às comunidades. Após a reunião técnica, os municípios devem encaminhar, em até 30 dias, os dados das áreas mapeadas, possibilitando o início da vacinação no menor prazo possível.
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