segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Tecnologia

Ações ligadas à IA desabam após big techs pedirem desaceleração no desenvolvimento

Ações de empresas ligadas à inteligência artificial caíram nas Bolsas da Ásia, Europa e Estados Unidos nesta segunda-feira (14), após executivos de grandes companhias defenderem maior coordenação e cautela no desenvolvimento da tecnologia.

Ações ligadas à inteligência artificial caíram nas Bolsas de valores ao redor do mundo nesta segunda-feira (14), após executivos de grandes empresas do setor defenderem uma desaceleração no desenvolvimento da tecnologia. O movimento atingiu fabricantes de chips, empresas de memória, fornecedores de equipamentos e companhias associadas à expansão de data centers.

Investidores passaram a avaliar se uma eventual redução no ritmo de desenvolvimento da IA poderia diminuir os investimentos em infraestrutura. A preocupação afetou especialmente empresas cujas receitas dependem do avanço acelerado da computação necessária para treinar e operar modelos de inteligência artificial.

Fabricantes de chips lideram perdas nas Bolsas

No Japão, a fabricante de memórias Kioxia chegou a cair 9,8%, enquanto a Tokyo Electron, integrante da cadeia de fornecimento de equipamentos para chips, recuou 3,7%. Em Taiwan, a TSMC perdeu 1,2%.

Na Coreia do Sul, a SK Hynix caiu 5,3% e a Samsung recuou 3,7%. Em Xangai, a CXMT chegou a registrar baixa de 3,6%, enquanto a SMIC perdeu 2,6%. O índice Kospi, que tem forte peso de empresas de tecnologia, liderou as quedas na Ásia, com baixa de 3,3%.

Na Europa, o subíndice de tecnologia do Stoxx Europe 600 recuou 2,2%. A fabricante de máquinas para produção de chips ASML caiu 6%. Nos Estados Unidos, Sandisk, Intel e Micron registraram perdas superiores a 5% no pré-mercado, enquanto a Nvidia recuou 2,4%.

A SoftBank, que detém participação de aproximadamente 13% na OpenAI, despencou 10,7%. Em Hong Kong, a Zhongji Innolight chegou a perder 6,7%, e a Minimax recuou até 7,8%.

Executivos pedem mais cautela no desenvolvimento da IA

A pressão surgiu depois que Dario Amodei, diretor-presidente da Anthropic, pediu no sábado (12) que as empresas líderes em inteligência artificial coordenassem suas ações para administrar o desenvolvimento da tecnologia e ampliar as medidas de segurança.

Sam Altman, da OpenAI, Elon Musk, da SpaceX, Satya Nadella, da Microsoft, e Demis Hassabis, cofundador do Google DeepMind, apoiaram a proposta. O debate ganhou força após a saída de um pesquisador da Anthropic, que criticou a velocidade da corrida entre as empresas e alertou para possíveis riscos à sociedade.

A avaliação dos investidores é que regras mais rígidas ou uma postura mais cautelosa poderiam afetar os gastos de capital das companhias. Emmanuel Cau, estrategista do Barclays, afirmou que a principal dúvida é se uma maior preocupação com a segurança da IA levaria a investimentos menores ou mais lentos em infraestrutura.

China e Estados Unidos minimizam os alertas

O governo chinês rejeitou o que classificou como alarmismo. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que a inteligência artificial pode ser uma força positiva e disse que narrativas de ameaça e confrontos entre países prejudicam a governança global da tecnologia.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também minimizou as preocupações. Segundo ele, forças negativas estariam fazendo previsões consideradas irreais sobre o futuro da inteligência artificial.

Juros altos ampliam pressão sobre ações de tecnologia

Além das dúvidas sobre a IA, o mercado foi pressionado pela perspectiva de juros mais altos. O petróleo Brent voltou a superar US$ 108 por barril, enquanto o rendimento dos títulos do Tesouro americano de dez anos se aproximou de 5%.

Custos de financiamento elevados tendem a afetar empresas de tecnologia cujas avaliações dependem de receitas esperadas para o futuro. O impacto é maior entre companhias que recorrem ao mercado de dívida para financiar a expansão de data centers e outros projetos ligados à inteligência artificial.

Apesar da queda, alguns investidores avaliam que uma supervisão maior pode evitar uma interrupção abrupta dos investimentos. Para essa corrente, um avanço mais controlado seria preferível a uma expansão acelerada seguida por uma paralisação provocada por riscos regulatórios ou de segurança.